Texto sobre alguém (1)

Porque?
Porque eu fui me arriscar assim?
Porque não me contentei em apenas sentir o forte Sol que queimava minha pele?
Porque não saboreei cada gota daquela intensa chuva?
Porque eu sabia aonde encontrar?
Porque eu sentia que poderia agarrar quem sabe a única chance?

Em minha galeria de lembranças o seu retrato
Suas mãos, seus lábios, seus olhos
Sua idade, seu sobrenome
Eu via, e me contorcia indo contra minha vontade
Eu não podia chegar tão longe
Eu não podia chegar tão longe
Mas ainda podia mentir que estava tudo bem
Eu disse que não ia adiante
Eu não podia chegar tão longe
Não aonde o longe me levasse para um lugar inseguro
Você entende?

São coisas que ficam pareando em nossas mentes
Tão natural
Tão ameaçador
Furtivo como isso nos consome
E distraído como isso um dia some

Agora eu voltei a cantar
Voltei para um mundo aonde eu não penso necessariamente em dualidade
Estou aproveitando minha individualidade
Deixando o que eu não entendi para trás...

Uma ligação interrompe meu raciocínio enquanto desabafo...

“Ânimo”

Atenderei

Mais uma noite…

Eu dormi outra vez
Pensando de que forma
Eu poderia me tornar uma pessoa melhor
Em outros tempos, eu não me escutaria, agiria sem pensar
Deixaria minha intuição de lado
Beberia toda a emoção
E sentiria a ressaca da razão

Ao acordar senti um cansaço
Algo que não consigo explicar
Como se eu tivesse dormido apenas alguns segundos
Sabendo que dormi por horas
Tento não pensar na insônia
Pois parece que a invoco

Não quero dizer com o que sonhei
Pois mesmo que eu implorasse ao senhor dos sonhos
Minha voz soaria tão perto para chegar tão longe
Que não alcançaria nem a beirada de onde meus desejos estão
Entre e a Terra e o Universo
Entre mim e entre outro eu

Meus desejos se limitam em meu inconsciente
Meus sonhos não passam nem perto da realidade
Minha mentira foi acreditar que sai ileso
Meu disfarce é a esperança de viver a ficção enquanto durmo
Enquanto durmo, não sei o que está acontecendo 

POR AÍ…

“”Uma vez ou outra

Uma vez ou outra “

Ainda ouço essas palavras ecoarem de um lado a outro em minha sala vazia

Eternizadas como uma feriada que nunca cicatrizará

Nasceu a incerteza

Virar-se e ficar de frente, encarar

Tudo acabou

Acabou pra mim?

Acabou pra você?

Acabou igualmente para ambos?

Acabou no mesmo tempo, no mesmo mundo?

Então…

Deixei de prestar atenção no som que os ponteiros do relógio reproduzem

Deixei de acreditar que sou forte

Deixei de acreditar em coisas que eu antes acreditava

Deixei que o medo me fortalecesse

Deixei de observar como os dias passam as vezes devagar e as noites tão rápidas como uma fagulha que provoca um incêndio

Eu poderia escrever mais, só que cansei

Cansei de esperar por uma solução sem um responsável legítimo

Eu não errei e você também não

Ficaremos assim para toda vida”

FUTURO?

Imagino uma outra vida no futuro

Pode ser que me pertença, pode ser que não

Pode ser que seja eu e pode ser que não seja você

Esperando o prêmio de reconhecimento

Debruçado sobre um balcão enquanto peço algo pra beber

Escuto: “Oi, quanto tempo!”

Me viro e não o reconheço

Você estará diferente daquele tempo

Talvez sim, talvez não

É apenas uma imaginação

Imagino essa conversa sobre nossas vidas

Sobre o que fazemos

Como estamos

Lembrando do nosso passado e talvez… Tal-vez

Talvez mesmo, você nem pensará em mim

E talvez nem eu pensarei em você

Talvez possa até existir uma migalha do que um dia eu fui em sua vida

Ou talvez existirá nada mais

Nada

E seremos apenas duas pessoas que um dia se conheceram

Então meus amigos chamarão minha atenção: “Ei, vamos?!”

Em duas versões eu imagino o final

Uma eu te convido e a outra eu apenas digo “adeus”

A terceira seria: “Oi, quanto tempo!”…

Nossos Corpos

Encoste-se
Junte-se ao meu corpo
Chegue mais perto
Eu sei é o medo.
Deite-se em meu peito
Escute meu coração
Esqueça nesse instante a dor que o mundo pode causar
Esqueça que possa existir o infinito.
Apenas feche os olhos e imagine o som do mar
As ondas em movimento batendo nas rochas
Imagine que esse é o som do silencio
Eu sei, o silencio é a ausência do som.
Mas no nosso mundo
O som do silencio é o mesmo das ondas no mar
 
Não pense em reação
Não pense em reagir
Desconecte os instintos
Nada mais pode acontecer
 
Deixe o mundo acabar
Não há mais o que fazer
As pessoas ainda estão rindo e chorando
E tudo está desmoronando
Frágil e delicado
Rápido, tudo está sendo destruído.
Cada vez mais rápido.
Apagando sem deixar lembranças
 
Vamos sentir nossos corpos pela ultima vez
Grudados pelo suor
Extinguindo o passado
Apagando o antes e o durante
Não haverá o depois.
Jogue em minha cara o quanto te feri
Que jogarei o quanto fui ferido
Nosso ego, nosso corpo, nosso desprezo.
Isso não é um favor
É nosso dever
 
Poderíamos morrer sozinhos
Mas escolhemos a eternidade juntos.
Fomos livres para fugir e não fizemos.
 
Prometo ser fiel as minhas palavras
Sobre mentir a nosso respeito quando encontrarmos a eternidade.
Apagarei seu nome e todos os nomes iguais ao seu não pronunciarei.
Não vou chorar, não vou enlouquecer.
 
Assim como nunca esquecerei.
Que de todas as desistências ao decorrer dessa vida.
Chego à conclusão que posso esquecer tudo sobre você.
Menos o calor do seu corpo junto ao meu.

Despercebido: A arte de ser

Passei hoje mesmo por aquela rua
Aquela rua repleta de almas conhecidas
Da importância do achar importante
Mas não são
 
Tropecei no mesmo lugar
E quando pisei em uma pedra granito, solta
Respingou na minha calça água que estava suja
E manchou
 
Da raiva que senti no exato momento
Aliviei minha ira com um discreto + sorriso = sarcástico
Depois >>>>
Sacudi as gotas que ficaram paradas na minha calça e andei
“Merda”
 
Casas e mais casas ao redor
Tudo estava ficando confuso
Casas iguais desde a escolha da cor a estrutura
Feias e ao mesmo tempo belas
 
Incrível
Passei ontem mesmo por essa rua
Essa que hoje estou repleta de almas conhecidas.
Conhecida entre eles da “importância do achar importante”
Mas não são.
Eu os conheço e eles apenas entre si
Não há biografia sobre tal
E a vila próxima desconhece suas origens.
Entre eles são ‘a suma importância’
E cada um com sua soberania.
Entre nós, de nós. Apenas alguns.
Assim como nós somos para eles
Apenas nós. Apenas alguns.

Perverso saber

É isso aí
Deixe meu coração em suas mãos
Mas cuide bem como se fosse seu
Não o machuque 
Meu perverso ser e estar
 
Não se distraia com o fútil
Nesse universo particular
Não há existência do esperar
Junte-se a nós
Nosso perverso hipnotizador
 
É isso ou saia
Estou com sono acumulado
Minha articulação não quer se expressar através da força
É perigoso, posso ser extremamente rude.
Não queira esperar mais
Meu coração está em suas mãos
 
Perverso, bajulador, calculista.
O reflexo é franco, a mais pura verdade.
Fecho os olhos para imaginar
Venham palavras, se aproximem.
Tudo pode ser maravilhoso
Perverso é saber que tudo que está ruim
 
Nós somos os únicos que podemos mudar

Adeus lua da manhã

Algum dia o Sol não batera mais 
Naquele lugar que foi tão nosso 
E não haverá outras histórias
Nem outros contos
 
Passamos pelo portão do conhecimento
E nos arrependemos do nosso futuro
Pode não haver esperança e nem salvação
 
O que fizemos?
 
Algum dia quando olharmos para trás
Teremos a certeza de que o em vão foi apenas o princípio
E o resto estará reservado, um lugar melhor, talvez.
Ainda que passem muito anos
 
Mas não para mim
E não para nós
 
Lá na frente e um futuro sem princípios
Encontraremos de novo
E não haverá:
O que eu penso?
O que você pensa?
 
Andaremos um ao lado do outro
Sem muitas perguntas
Sem muitas explicações
Sem nenhuma resposta exata
 
Aproveitamos tudo do que nos foi dado
Vimos o Sol nascer
A Lua trazer a noite
E as estrelas contemplando o vazio no céu
Esquecemos completamente o depois do amanhã
E assim terminamos
Se tomar nosso ultimo café da manhã